sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

A CRISE REAL...

Estão certos em seu julgamento quantos percebem nas crises atuais as modalidades variadas de uma crise única - de ordem espiritual.

Há, por todo canto, o fermento revolucionário. Falece à política autoridade para organizar um programa que corresponda aos anseios gerais. A ciência, a cada passo, se encontra num turbilhão de perplexidades. As religiões criaram um Deus antropomórfico, pondo de lado o "reino dos céus", para alcançarem, por quaisquer meios, o "reino da terra".

A alma humana, dentro dessas vibrações antagônicas, perde-se num emaranhado de conjecturas e de sofrimentos.

Essa inquietação geral, a ausência de paz nos corações estabelecem a crise avassaladora, que abrange todos os domínios da atividade humana.

As classes são dominadas pelos desvios de toda ordem: vícios do pensamento, vícios dos costumes, vícios da alimentação. Que se poderia fazer para que a ordem se restabelecesse, para que o bem estar social se efetivasse?

Far-se-ia mister pirogravar [gravar a fogo], no coração de cada homem, a legenda celebre de Delphos ["homem, conhece-te a ti mesmo"].

Observa-se, em todos os setores dos trabalhos do mundo, uma luta tenaz dos anseios do Espírito que almeja a paz e [a] libertação.

Há quase dois mil anos, quando a civilização, simbolizada no poderio romano, se entregava a todos os desregramentos e desvarios, fez-se ouvir a voz consoladora do Mestre, o Salvador esperado por muitos séculos de ansiedades e profecias. Sob a sua divina influência, uma transformação radical se operou, dentro da civilização trabalhada pelos hábitos perniciosos. Sua vida, sacrificada, foi legada aos homens como o sublime modelo. Sua palavra foi deixada no mundo como a lei áurea de liberdade das almas.

Passado, porém, o arrebatamento da fé, novamente os abusos da maldade humana se fizeram sentir por toda parte e deles se observa na atualidade a culminância.

Todavia, ainda é para Jesus que os homens necessitam voltar os olhos. A missão do moderno espiritualismo é trazer a chave dos conhecimentos acerca dos seus grandes e inolvidáveis ensinamentos. Enquanto não compreenderem os homens seus deveres de fraternidade cristã, não haverá possibilidade de evitarem-se as crises que assoberbam o mundo.   

A guerra continuará, amortalhando os corações; os artigos de primeira necessidade serão destruídos pela falsa diretriz econômica de alguns países, quando muitos choram à falta de pão; a confusão prosseguirá, em todos os seus matizes, até que a crise espiritual seja solucionada pelo esforço do homem, a fim de que a luz se faça no seu coração.

O que se depreende, pois, do confucionismo moderno é que os homens necessitam mais de verdade que de dinheiro, de mais luz espiritual do que de pão.

- Reformador, FEB, agosto de 1935.

(Fonte: https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=revreform&pagfis=17297)

 

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